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Ontem, Hoje e Amanhã – Será que o mundo do trabalho mudou? – Parte 01

Me proponho neste texto conversar com você sobre um tema que considero incrível, que é a nossa relação e o impacto que o trabalho tem na vida dos nossos pais, na nossa e que terá na vida dos nossos filhos.

Amado por uns, odiado por outros, o trabalho é um elemento absolutamente indissociável de nossa sociedade, e isto por um fator muito simples, é através dele que o ser humano saiu de uma vida na selva para aquilo que chamamos de “civilização”.

Dos sapatos dos seus pés aos celulares em seus bolsos, passando pela residência onde mora e pelos livros que você lê … os remédios que toma quando adoece e a cerveja com a qual se alegra no final de semana … tudo, absolutamente tudo, foi criado, produzido e disponibilizado através do trabalho. Não é à toa que ele é tão fortemente caracterizado como um elemento edificante do desenvolvimento humano.

Mas, quando você era criança e se sentava no chão para brincar enquanto ouvia seus pais conversarem sobre o “trabalho”, será que compreendia de fato o que estava se passando? Será que a forma como você se refere hoje ao seu trabalho é igual àquela como seus pais se referiam?Quais são as memórias afetivas que você traz daqueles tempos?

Será que se lembra de estar em um almoço de domingo em família, tomando sua Coca-Cola gelada e saboreando um belíssimo frango assado (lembro do cheiro?) enquanto ouvia, entre uma história e outra, seus pais contando dos acontecimentos da semana na “firma”, e como isto os alegrava ou aborrecia ?

Pois é, nesta nostálgica “parte 01” falaremos do trabalho de ontem, ou seja, daquele contexto vivenciado por nossos pais.

Importante frisar que o “trabalho em si” não muda, a essência é a mesma, ou seja, aplicamos energia e esforços para construir “coisas” que geram utilidade para nós e para outras pessoas de nossa comunidade.

A questão de ordem está nas percepções sociais e geracionais do papel do trabalho na vida do ser humano.Há décadas atrás o trabalho era considerado como um elemento apartado da vida privada. As pessoas falavam em “papéis”, pois havia um “eu profissional” e um “eu pessoal”. As mentes da geração X operavam pelo apito dos sinais de abertura e fechamento do expediente, em um processo conhecido como “virar a chave”.

Esta fórmula tentava tornar as pessoas mais produtivas ao longo do tempo, induzindo uma espécie de bloqueio mental aos profissionais para que não “perdessem tempo pensando em questões pessoais”, pois nada é menos produtivo do que uma mãe que está no escritório pensando no filho doente na escola, e não é menos custoso o acidente de trabalho de um operador na fábrica que se machuca pela distração de estar pensando em problemas financeiros envolvendo empréstimos pessoais, isto não era bem visto nem desejado!

Entretanto, esta mesma fórmula é ótima para desengajar pessoas, pois se o trabalho é uma parte abastada da vida, também é uma “obrigação” que corrói tempo livre, não é bem visto nem desejado, apenas tolerado como algo necessário (quase obrigatório). E mais, no mundo pós guerra as carreiras evoluíram quase como uma hierarquia militar, já ouviram falar no famoso: “manda quem pode, obedece quem tem juízo?”.

As estruturas piramidais das companhias eram construídas de forma verticalizada, criavam-se verdadeiros arranha-céus onde cada andar abrigava categorias que iam se tornando cada vez mais aristocráticas na medida em que subiam os andares. Sim, começavam pelo famosos “chefes de setor”, que obedeciam aos “supervisores”, que por sua vez obedeciam aos “gerentes”, e daí em diante o elevador somente iria parar quando chegasse à cobertura, habitada pela mística “diretoria”, a nata da autoridade e poder, símbolo do prestígio social e fonte de profundo ódio sindical pelo sucesso quase inalcançável que ostentavam … sim … bons tempos não é ? rssrss

Esse caldeirão social cozinhou bem por décadas, foi uma fórmula que funcionou dentro de um misdset derivado da cultura e valores de uma época.

Mas, como veremos na parte 02, todo este contexto já não pôde mais satisfazer ao novo modelo social que surgiu e vem se fortalecendo, que é o trabalho de hoje …

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