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Ontem, Hoje e Amanhã – Será que o mundo do trabalho mudou? – Parte 03

Chegamos à terceira e última parte de nosso passeio pelo papel social do trabalho em nossas vidas.

Como não poderia deixar de ser, precisamos aqui reforçar que nossa ambição com o presente é tão somente à de oferecer uma reflexão sobre como o trabalho vêm sofrendo alterações sobre seu papel social conforme novas gerações têm ingressado e dominado o mercado

Vimos que o trabalho migrou de um “papel apartado” da vida das pessoas (o ‘eu profissional’) para mais uma faceta dentro de uma visão holística, que considera o ser humano como único e indivisível, pois o(a) profissional, o pai(mãe) de família, o(a) amigo(a), o(a) filho(a), o(a) marido(esposa), etc … são diferentes aspectos e atividades de uma ‘único vida’, a sua.

Queremos mais qualidade de vida, mas a incidência de doenças mentais como depressão e ansiedade aumentam, e o trabalho pode ser considerado um dos fatores que contribuem para a geração deste quadro.

Na medida em que integramos os diferentes “eus” que há em nós, o trabalho inunda nossas casas e absorve cada vez mais parte de nosso tempo livre. Não apenas para exercício de atividades profissionais em si, mas também para o “estudo permanente”, deslocamento e viagens profissionais, realização de encontros para network, workshops, confraternizações … enfim, o tempo dedicado vai muito além da mera jornada convencional de 8hs/dia (ou seja, lá qual for a sua). Somado a isto, a expectativa de resultados cada vez maiores e a permanente necessidade de reaprendizado em uma sociedade cada vez mais complexa criam um caldeirão de pensamentos e exigem um nível de concentração que podem nos ajudar a entender a motivação do quadro descrito.

Não! O trabalho não pode nem deve ser fonte de adoecimento, muito pelo contrário, devemos ser capazes de resgatar a famosa frase: “encontre o que te faz feliz e nunca mais irá trabalhar na vida” (ou algo assim).

Neste sentido o trabalho do futuro deve avançar para repensar o conceito de produtividade empresarial e, principalmente, de sustentabilidade, que reflete o “como estaremos” daqui há 10 anos.

Meu avô já me ensinou que “caixão não tem gaveta”, e “distrato social (encerramento de empresa) também não”. De nada adianta gerarmos índices recordes de lucratividade, caixa elevado e patrimônio líquido impecável se destruirmos física e emocionalmente as pessoas que conquistaram este resultado.

As organizações precisam trazer para a nova econômica índices de felicidade e engajamento empresariais tão bons quanto os do DRE e Balanço.

O trabalho do futuro começa pela mudança do recrutamento, antes pautado essencialmente pelos skills do candidato, e agora precisa avaliar o alinhamento de propósito entre este e a organização. Já temos ótimos testes de perfil comportamental para R&S, mas ainda não temos boas ferramentas para recrutamento pelo propósito.

Outro ponto, graças as tecnologias fomos para muito além do Home Office, agora podemos tratar da “portabilidade do trabalho”, um conceito antes somente aplicável à sua carteira de investimentos.

O trabalho portátil permite que as pessoas viagem e se desloquem mantendo os mesmos níveis de produtividade, além de eliminar perca de tempo com deslocamentos, fato que “devolve” parte do tempo perdido pela miscigenação entre vida profissional e vida pessoal. Para além disto, podemos montar facilmente times globais, com membros residentes em diferentes partes do planeta, limitados somente pelo fuso horário para realização de reuniões.

Para mais um pouco além, temos também a perspectiva do “job sharing” (compartilhamento do trabalho), onde duas pessoas exercem o mesmo cargo, mas em horários diferentes. Embora possa parecer estranho hoje, este processo já acontece em algumas empresas e poderá vir à ser uma solução viável para o problema do desemprego que pode ser gerado pelo avanço da automação.

A massificação e o alto poder de escala para criação de conteúdos também torna atualmente qualquer profissional com conhecimento uma possível “escola técnica nacional”. Antes, seu poder de transmissão de conteúdo era limitado ao tamanho da sala de aula que poderia montar, mas agora, você pode impactar diretamente a vida dos mais de 200 milhões de brasileiros a partir da sala da sua casa gravando conteúdos.

Sim, o conhecimento é o ativo profissional mais valioso que temos e sua disseminação é cada vez mais acessível e menos formal. Você será medido por sua capacidade de impacto e transformação reais e não pelo diploma que guarda em uma gaveta.

Resumidamente, o trabalho do amanhã será fortemente focado em cultura de propósito, portabilidade, reaprendizado permanente e compartilhamento.

Esperamos que estas reflexões tenham feito sentido para você e contribuído para gerar seus próprios insights, nos acompanhe para os próximos materiais.

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